PATRIMÔNIO E PRESERVAÇÃO

Preservação, seja do patrimônio ambiental ou edificado, é uma palavra de ordem nos dias atuais. Todos em São Francisco Xavier estão de certa forma familiarizados com o assunto, tanto em função de suas APAs, como pela mobilização para a restauração de sua simpática Igreja Matriz há alguns anos.

 

Há uma visão econômica sobre o tema do patrimônio edificado, essencialmente mais materialista e pragmática, defendendo o preservar as edificações como forma de evitar o desperdício da grande quantidade de energia despendida e acumulada na confecção desses empreendimentos. Prédios, ruas, praças e equipamentos urbanos consumiram quantidades abissais de energia e recursos ao longo do tempo, através da movimentação, manipulação e transformação de matéria-prima pelo esforço e intelecto humanos. Sem políticas e culturas de preservação e manutenção do patrimônio edificado e ambiental que assegurem retardar o processo natural de fadiga e degradação dos materiais - ou mesmo o induzido pelo mau uso - como gerar recursos físicos e financeiros a curtos prazos de gerações para uma recomposição integral de nosso entorno?

 

Todavia, quando se fala em patrimônio edificado e preservação pensa-se, invariavelmente, em tradição, memória cultural e social, enfim, em valores mais românticos e transcendentes a serem mantidos.

A palavra patrimônio, etimologicamente, tem o sentido de herança paterna. Dessa forma, as construções históricas são muitas vezes aferidas mais por seu valor antropológico, que pelo interesse financeiro e mesmo artístico.

 

É fato que nem tudo que é antigo é bom e deve ser preservado, assim como não significa que determinadas construções de história recente não possam ser enquadradas ou valorizadas como patrimônio histórico e cultural. Conta-se, via de regra, com as emoções que aquele determinado bem suscita, de como espelha a identidade de um povo e de um lugar.

 

Além disso, em qual época podemos considerar uma edificação efetivamente original, se ao recompô-la, mesmo que ao seu estado primevo de construção, estaríamos privando-a de muitas histórias incorporadas e doravante não mais transmitidas? Cada reforma e cada acréscimo torna-se parte de seu presente, funde-se à sua história. O próprio ato de restaurar para preservar já é em si uma intervenção no bem que produz o paradoxo de adulteração do estado genuíno. Se o presente é fruto de todas as experiências ancestrais, o passado não passou, mas é experimentado e agregado continuamente.

 

A interação com um bem, seja particular ou público, pressupõe responsabilidade e liberdade. Restaurar e conservar, portanto, requer pesquisa, conhecimentos e técnicas, a fim de não incorrer em meras reformas desordenadas e destituídas de estudo científico.

 

O fato é que, para a preservação do patrimônio, interessa sobremaneira agir. Afinal, temos apenas a “posse temporária” desses bens e a especial missão de mantê-los e transmiti-los às próximas gerações.

__________________________________________________

Claudio Torres

RESTAURO DO ANTIGO

projetos      obras      consultoria

CTEng

© 2003 - 2019   ClaudioTorres Eng & Consult Ltda    |    eng@claudiotorres.com    |       

  • White Instagram Icon